sexta-feira, 30 de março de 2012

ANDANDO POR AÍ


Estranho, mas é sempre como se houvesse por trás do livre arbítrio um roteiro fixo, predeterminado, que não pode ser violado. Um roteiro interno que nos diz exatamente o que devemos ou não fazer, e obedecemos sempre, mesmo que nos empurre para aquilo que será aparentemente o pior. O ''pior'' às vezes é justamente o que deveria ser feito? Eu não sei. Pelo menos estou vivo. Em movimento, andando por aí, perdendo ou ganhando, levando porrada, passando fome, tentando amar.

CAIO FERNANDO ABREU

quinta-feira, 29 de março de 2012

DESAPRENDI ESSAS COISAS



Eu deveria cantar, rolar de rir ou chorar. Mas eu desaprendi essas coisas.

CAIO FERNANDO ABREU

quarta-feira, 28 de março de 2012

MÁGICO SUAVE


Achei um pouquinho mágico, mágico suave, você sabe - nós ali, lado a lado, falando praticamente das mesmas coisas.

CAIO FERNANDO ABREU

domingo, 25 de março de 2012

SINTO FALTA


Só mudei de opinião, mas meus sentimentos continuam os mesmos, com exceção da dor, que ficou mais intensa longe de você, sinto falta, mas já doeu uma vez, talvez eu não seja capaz de suportá-la novamente. E de tudo isso eu aprendi que se entregar de corpo e alma à uma pessoa não é o suficiente pra fazê-la feliz. Queria acreditar que como em filmes no final tudo daria certo, mas preciso de motivos... faz acreditar que o mundo não é só aflição?

CAIO FERNANDO ABREU

TURBULÊNCIAS EMOCIONAIS


No meio dessas turbulências emocionais, uma sensação de estar aqui em férias, de estar de passagem. […] Tento tirar o máximo de sofrimento, e não consigo. Não há quase sofrimento, só no máximo confusão.

CAIO FERNANDO ABREU

sábado, 24 de março de 2012

FINGIR QUE SOU NORMAL


Preciso tomar ar, fingir que sou normal e tenho um profundo interesse pelas pessoas e acontecimentos culturais e todas essas estonteantes possibilidades urbanas. Andei, ando, um bicho do mato. Sair de casa virou programa de índio.

CAIO FERNANDO ABREU

quarta-feira, 21 de março de 2012

COISAS BOBAS


Daí penso coisas bobas quando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você.

CAIO FERNANDO ABREU

segunda-feira, 19 de março de 2012

AFLIÇÃO OBJETIVA


No meio dessa aflição objetiva de sobreviver nesta cidade, neste país, neste planeta, neste tempo - ando também bastante sereno. Acho. Alguma coisa em mim - e pode-se chamar isso de "amadurecimento" ou "encaretamento" ou até mesmo "desilusão" ou "emburrecimento" - simplesmente andou, entendeu? Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho (ou sapatão) que perdi nas escadarias. Não sinto mais impulsos amorosos. Posso sentir impulsos afetivos, ou eróticos - mas amorosos, sinceramente, há muito tempo. É estranho, e não me parece falso, mas ao contrário: normal. Era assim que deveria ter sido desde sempre. E não se trata de evitar a dor, é que esse tipo de dor é inútil, é burra, é apego à matéria.

CAIO FERNANDO ABREU

quinta-feira, 15 de março de 2012

PERFEITO DE TÃO IMPERFEITO


Um dia você vai encontrar alguém que te lembre todos os dias que a vida é feita para ser vivida. Alguém que é perfeito de tão imperfeito, alguém que não desista de você por mais que você tente afastá-lo. Naquele dia que você não estiver procurando por ninguém, naquele dia que você não ia sair de casa e acabou colocando a primeira roupa que viu pela frente, quando você não estiver procurando, você vai achar aquela pessoa que faz você sentir que poderia parar de procurar.

CAIO FERNANDO ABREU

segunda-feira, 12 de março de 2012

SENTIR FELIZ


Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você.

CAIO FERNANDO ABREU

sexta-feira, 9 de março de 2012

PERÍODO DE LUTA


Mas uma estranha intuição: de que, de alguma forma, este é um período de luta depois do qual tudo deve abrir, ficar mais fácil, menos batalhado.

CAIO FERNANDO ABREU

terça-feira, 6 de março de 2012

O QUE SINTO


Você não vai me ver mentir. Desista. Mentiria sobre a cor do meu cabelo. Sobre minha altura. Até sobre meus planos para o futuro. Mas não vou mentir sobre o que eu sinto. Nem sob tortura. Posso mentir sobre minha noite anterior. Sobre minha viagem inesquecível. Mas não agüentaria mentir sobre você por um segundo.

CAIO FERNANDO ABREU

INCOMPLETA


Alguém me ensina a pensar menos nele? Alguém me ensina a não repetir centenas de vezes a mesma cena na cabeça? E não fazer dessas lembranças o meu maior martírio? Porque dói, dói muito pensar que há pouco tempo eu estive inteira com ele e o deixei partir, assim, sem insistir, sem nem um “fica mais um pouco?”. É possível não sentir esses arrepios ao lembrar-me do toque, do cheiro, do beijo dele? Ah, eu daria tanta coisa para que aquele anjo estivesse aqui comigo agora, hoje, amanhã, sempre. Eu daria tudo pra vê-lo sorrir mais uma vez pra mim, mas quando estou com ele fico tão pequena, entrego-lhe o que ainda me resta, ele vai embora e eu fico aqui, me sentindo incompleta, me sentindo um nada, sobrevivendo apenas de migalhas da minha memória.

CAIO FERNANDO ABREU

sexta-feira, 2 de março de 2012

TENHO TENTADO


Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar.

CAIO FERNANDO ABREU